Últimas indefectivações

sábado, 6 de junho de 2026

O apelo da carnificina que é o Isle of Man TT é real e muito difícil de explicar


"Todos os anos, dezenas de pilotos arriscam a vida nesta série de provas que invade as ruas e montanhas da Ilha de Man. A lista de fatalidades é longa. Para os milhares que assistem às corridas o fascínio é tão intenso como difícil de colocar em palavras. Eu ouso dizer que, por muita culpa que sinta, há muito mundo real naquelas corridas

Há dois eventos desportivos que me deixam com sentimentos ambivalentes quando lhes dou mais um ponto de audiência ou atenção porque, embora muito me entretenham, sinto que estou a contribuir para uma carnificina. Há uma espécie de culpa, lado a lado com o entusiasmo. Não, nem estou a falar de UFC que, meio hipocritamente, assumo, abomino. Falo de jogos de futebol americano, atividade que, sei eu, sabe toda a gente, nomeadamente a ciência e os próprios protagonistas, não faz propriamente bem à firmeza do cérebro.
E falo do Isle of Man TT.
O Isle of Man TT é uma série de corridas de motociclismo que todos os anos invade as estradas e ruas da Ilha de Man, ali entre a Irlanda e a Grã-Bretanha. A corrida tem várias particularidades, a mais tétrica de todas é que nenhuma outra competição desportiva terá uma tão longa página de Wikipedia com a lista de fatalidades. À hora a que escrevo este texto, são 271 vítimas mortais nas mais diversas provas daquele circuito que atravessa vilas, montanhas, lugares onde uma pessoa teria medo de andar a pé, quanto mais numa moto a 300 quilómetros por hora.
Quando reforço o “à hora a que escrevo este texto” é porque há ainda corridas a decorrer e essa lista aumenta sem dar recado. Em 2017 tive a oportunidade de visitar a ilha durante o TT e durante as horas que passei no paddock houve dois avisos de acidente, seguidos, minutos depois, do anúncio de mais uma vítima mortal. A reta que marca o início e o final do circuito é acompanhada pelos túmulos e jazigos do cemitério de Douglas, a capital desta comunidade autónoma. Vários dos pilotos que pereceram na prova estão ali sepultados. A edição de 2025 foi notícia porque não houve qualquer vítima mortal.
Ainda assim, todos os anos dezenas e dezenas de pilotos, muitos deles amadores, gente de classe trabalhadora que não podia estar mais longe dos Valentinos Rossis ou dos Marc Marquéz, apresenta-se para arriscar a vida naquelas mais de 200 curvas espalhadas por 60 quilómetros. E muitos mais milhares pegam nas suas motos e percorrem meia Europa, por estrada e ferry, para assistirem as corridas.
Lembro-me, nesse ano de 2017, de encontrar um grupo de portugueses e tentar perceber com eles, gente bem mais batida que eu, que nem sei andar de moto, o fascínio daquela corrida, a mais perigosa do mundo, um apelo que a mim própria já atingia, tanto quanto o frio gélido, daquele que viaja pelos ossos, que até em junho ali se faz sentir. Talvez tudo aquilo ser tão mundo real, tão pouco artificial, tão imprevisível e sem guião faça parte do apelo. Começa a faltar muito mundo real a outros desportos.
Nenhum me conseguiu dar uma explicação minimamente lógica, há coisas que são mesmo assim, vi-lhes apenas as tentativas, as frases sem terminar, o brilho nos olhos, o tom de quase incredulidade nas palavras de quem ainda parecia meio apalermado, no bom sentido, por aquela explosiva energia cinética de motos arriscando a morte e, demasiadas vezes, indo ao seu encontro. Aqueles pilotos não são muito diferentes de gladiadores e o namoro com o perigo é algo que continua a ser irresistível para muitos seres humanos.
Leio agora que Brad Pitt e Channing Tatum voaram este ano para a Ilha de Man, onde gravaram algumas cenas para um futuro filme sobre o TT, um bocadinho à imagem do que Pitt protagonizou e produziu sobre a Fórmula 1, que não é nenhuma Palma de Ouro de Cannes, mas não deixa de ser entretenimento competente. Mas o TT não é o ambiente controlado da Fórmula 1. Não se corre num circuito, mas sim no meio de povoações, entre vales e estradas que serpenteiam montanhas e fogem de escarpas. E no paddock não há roupa de estilistas e champanhe: há lama, um cheiro omnipresente a fritos que se mistura com fuligem, gente normal de galochas e impermeáveis.
Não sei até que ponto será possível colocar isto numa tela de cinema de forma honesta. E tratar da morte, que ali anda todos os dias de braço dado com os pilotos, sem carga dramática, mas sim com a contenção que lhe é devida, porque aquela gente sabe, abraça e já há muito racionalizou as probabilidades, demasiado altas, de, a cada prova, não voltar vivo."

Assembleia Geral


"De acordo com o artigo 32.º do regime jurídico das federações desportivas (RJFD), as federações desportivas devem contemplar na sua estrutura orgânica, pelo menos, os seguintes órgãos, mesmo que com outras denominações: a) Assembleia geral; b) Presidente; c) Direcção; d) Conselho fiscal; e) Conselho de disciplina; f) Conselho de justiça; g) Conselho de arbitragem.
Também nos termos do RJFD — concretamente do artigo 34.º — a assembleia geral (AG) é o órgão deliberativo da federação desportiva, cabendo-lhe, designadamente: a) A eleição ou destituição da mesa da AG; b) A eleição e a destituição dos titulares de alguns dos órgãos federativos; c) A aprovação do relatório, do balanço, do orçamento e dos documentos de prestação de contas; d) A aprovação e alteração dos estatutos; e) A ratificação dos regulamentos disciplinar e de arbitragem das ligas profissionais; f) A aprovação da proposta de extinção da federação; g) Quaisquer outras que não caibam na competência específica dos demais órgãos federativos.
Ora, precisamente na FPF, sábado, 6 de junho, irão realizar-se duas AG, uma ordinária, outra extraordinária, para duas das finalidades previstas na Lei: a aprovação do plano de atividades e orçamento e a ratificação dos regulamentos disciplinar e de arbitragem da Liga Portuguesa de Futebol Profissional.
Seja através da apreciação e aprovação dos instrumentos de gestão e planeamento da atividade federativa, seja pela ratificação de regulamentos fundamentais para o funcionamento das competições profissionais, estas deliberações refletem o papel central deste órgão na definição das orientações estratégicas, financeiras e regulamentares da federação, garantindo simultaneamente a observância dos princípios de democraticidade, transparência e legalidade."

Usbequistão: Odil Akhmedov, o homem do quase que já não protagonizou a história, mas que poderá ter tido um dedo nela


"Foi seis vezes o melhor jogador do Usbequistão mas também protagonista em algumas das maiores desilusões da seleção do país, que em 2014 e 2018 ficou a um pequeno passo da qualificação para o Mundial. A história chegou já com Odil, um médio versátil, taticamente inteligente, como dirigente da federação de um dos estreantes no Mundial 2026.

Há algo de paradoxal na carreira de Odil Akhmedov, uma das maiores estrelas do futebol do Usbequistão, seis vezes considerado o melhor jogador do país. Paradoxal ou injusto, dependendo das sensibilidades. Akhmedov, um médio completo, fisicamente resistente e taticamente sagaz, esteve presente nas maiores desilusões vividas pela seleção nacional usbeque. A equipa da nação da Ásia Central, membro da FIFA desde 1994 como país independente, bateu na trave em 2014 e 2018, depois de outro falhanço épico em 2006, um par de anos antes da estreia de Akhmedov. E mal o médio se retirou, o Usbequistão conseguiu chegar à ansiada estreia em Campeonatos do Mundo.
Diga-se que é possível que Akhmedov, que cometeu a proeza de ser considerado o melhor jogador da temporada no Anzhi, da Rússia, quando Samuel Eto’o e Roberto Carlos faziam parte da equipa, tenha um dedo neste sucesso, já que mal deixou os relvados assumiu outro posto de responsabilidade, depois de arrumar a braçadeira de capitão: o de vice-presidente de uma federação que não se coibiu de criticar na hora do adeus. Mas já lá vamos.
Odil Akhmedov é fruto da escola do Pakhtakor FC, da capital Tashkent, o mais bem-sucedido clube do Usbequistão. Ali se estreou profissionalmente aos 18 anos e conquistou dois campeonatos antes de se mudar para o na altura muito endinheirado Anzhi. Um suposto interesse do Arsenal, confirmado pelo próprio Akhmedov, que via esse namoro como “uma vitória para todo o futebol usbeque”, não chegou a materializar-se.

Os traumas usbeques
Akhmedov seria campeão da China pelo Shanghai SIPG, em 2018, com Vítor Pereira no banco, mas o sucesso que ia vivendo nos clubes não encontrava paralelo na seleção, onde era líder e capitão.
O trauma vinha já de trás, antes do seu tempo: na 1ª mão do play-off final da fase de qualificação asiática para o Mundial 2006, frente ao Bahrain, o Usbequistão ganhava já por 1-0 quando teve direito a um penálti. Server Djeparov, outro histórico, fez o 2-0, mas o árbitro japonês do encontro vislumbrou jogadores usbeques a entrarem na área e anulou o golo. Pelas regras, o Usbequistão deveria repetir o penálti, mas o juiz da partida, de forma bizarra, marcou livre para o Bahrain.
O Usbequistão pediu que lhe fosse atribuída a vitória por 3-0, mas a FIFA decidiu que o jogo deveria ser repetido. E o Bahrain acabou por passar ao derradeiro play-off internacional com um empate 1-1 em Tashkent e um nulo em casa. Akhmedov terá sido um dos jovens a chorar em casa perante tamanho azar.
Esta foi a desilusão número 1. A desilusão número 2 aconteceu na qualificação para o Mundial 2014, já com Akhmedov em destaque na equipa. Aí, o Usbequistão falhou a presença direta no Brasil por causa de um singelo golo: na última jornada bateu o Catar por 5-1, mas faltou-lhe mais um para ficar à frente da Coreia do Sul no grupo.
E ainda há a desilusão número 3. Na qualificação para o Mundial 2018 bastava uma vitória na última jornada da qualificação para chegar à Rússia. Mas, frente à Coreia do Sul (de novo a Coreia do Sul), o Usbequistão não saiu do nulo. A desilusão número 4 foi menos dramática, já que a antiga república soviética ficou longe do Mundial do Catar. E aí Akhmedov assumiu as responsabilidades, deixou a seleção e fez um raio-x, talvez decisivo para que, agora sem ele - mas talvez com ele -, o Usbequistão tenha garantido uma presença inédita no Campeonato do Mundo.
No adeus, em junho de 2021, Akhmedov deixou frases fortes: “O futebol não pode ser enganado. Se não mudarmos hoje, daqui a quatro anos vamos estar aqui a pedir perdão. Se os interesses do futebol não estiverem acima de todos, não vamos ter resultados”, começou por dizer, sublinhando a dificuldade do país em formar jogadores e a falta de “fundações”.

Estratégia que resultou
Certo é que já com Odil Akhmedov na vice-presidência da federação surgiram os primeiros resultados de um investimento estatal em infraestruturas, nomeadamente com a construção de relvados por todo o país e a renovação de 15 mil campos em escolas, refere a “Reuters“.
O Usbequistão, nação de 35 milhões de pessoas, com uma demografia imberbe, fomentou ainda uma rede de escolas dedicadas ao futebol, apoiando cerca de 65 mil jovens futebolistas, numa estratégia a longo prazo que está a ter efeitos imediatos: a equipa olímpica qualificou-se para Paris 2024, a sénior para o Mundial 2026 e um jogador usbeque chegou pela primeira vez à Premier League: Abdukodir Khusanov, do Manchester City.
Não foi em campo, mas Odil Akhmedov, hoje com 38 anos, conseguiu mesmo travar o ciclo de desilusões do seu país, a primeira nação da Ásia Central a jogar um Mundial. Quatro anos depois, não houve pedidos de desculpas, tentativas de explicar as desventuras, mas sim um momento histórico que não viveu como jogador, mas sim como dirigente."

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Dominadores...

Benfica 4 - 1 Barcelos

Estamos na Final, no melhor jogo destas Meias-finais, com um Benfica dominador desde do 1.º minuto...


Profeta!

Revoluções...

Ladainhas...

21 dias...


"Florentino Pérez publicou um vídeo, gerado por inteligência artificial, onde José Mourinho aparece como trunfo eleitoral e novo treinador do Real Madrid. A ficção tecnológica apenas acompanha a realidade que já todos conhecemos.
A indignação que o vídeo está a gerar não é equivalente (porque não houve) ao anúncio, feito nos últimos dois dias - em todos os meios de comunicação e sem IA - do novo treinador do SL Benfica, quando, será bom também recordar, ainda há um contrato em vigor com o atual.
Já toda a gente sabe quem será o próximo inquilino do banco do SL Benfica. Conhece-se o nome, o salário e até a duração do contrato. Falta apenas a oficialização. É evidente que existem procedimentos legais e burocráticos que exigem tempo. Mas talvez, se a semana de Rui Costa não durasse 21 dias, tivesse sido possível evitar tanto espanto."

Falar Benfica - Conversas Gloriosas #54 - Marco Silva e as modalidades

Eleições na Segunda Circular


"Depois das eleições do Real Madrid, que deixaram em suspenso o futuro do Benfica, agora é a luta por votos no Fenerbahçe que pode deixar marca no verão do Sporting

Se as eleições do Real Madrid já tinham deixado em suspenso a preparação da nova temporada do Benfica, agora é a disputa presidencial do Fenerbahçe, marcada também para o próximo fim de semana, que veio agitar o defeso do Sporting.
Luis Suárez foi escolhido como trunfo eleitoral de Hakan Safi, candidato à presidência do emblema turco, e os milhões prometidos terão seduzido o avançado colombiano, pelo menos para início de conversa. O Sporting aponta para a cláusula de rescisão, até porque Suárez, contratado há um ano, não integra o «dossiê fim de ciclo» que a SAD liderada por Frederico Varandas abriu em Alvalade, mas esta cobiça ao Bola de Prata pode deixar marca para além da votação de domingo, mesmo que Safi não seja eleito.
Ainda assim o maior desafio do presidente leonino continua a ser a solução para jogadores que ele próprio empurrou para a porta de saída, mas para os quais a procura do mercado pode não ir bem ao encontro do retorno desportivo que têm dado, ou - mais relevante ainda - da expectativa de encaixe financeiro que a estrutura leonina tenha para esta janela de verão.
Do outro lado da Segunda Circular está tudo à espera das eleições do Real Madrid, mas só uma derrota (inesperada) de Florentino Pérez perante Enrique Riquelme pode baralhar as decisões já encaminhadas. Espera-se que o regresso de José Mourinho à equipa merengue seja confirmado na próxima semana, e assim Marco Silva verá consumada a desejada mudança para o Benfica.
Entre ignorar a renovação pedida publicamente por Mourinho ou ceder às pretensões do técnico, Rui Costa quis tudo e não quis nada, enquanto o Special One geria a comunicação. Embora os sinais da equipa não tenham sido convincentes, é provável que Mourinho deixe novamente a Luz com a sensação de que havia mais para dar, mas o inesperado regresso ao Real - e ao topo do futebol mundial - surge como desforra saborosa.
O desfecho final até pode ser airoso para todas as partes envolvidas, mas não há ninguém que fique bem nos negativos dos retratos desta segunda passagem do técnico setubalense pelo Benfica.
Marco Silva já mostrou capacidade para ocupar o banco da Luz, mas todo o processo da troca de treinador condiciona também a afirmação do antigo técnico do Fulham, ainda que este tenha noção (alguma, pelo menos) do desafio que o espera."

Lanças...


Zero: Mercado - Mourinho disse Sí, Catamo pode dizer Ciao

BF: Saídas...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Sai Mourinho, avança Marco Silva: o que se sabe?

Águia: Marco Silva...

Observador: E o Campeão é... - Mourinho deu o "sí" ao Real e mandou o Benfica passear?

Oliveira: MARCO SILVA NO BENFICA! O BENFICA ACERTOU, FINALMENTE!

BolaTV: O Lado Direito do Mister - S02E08 - IA e Mourinho e o tudo ou nada para o Benfica

Rip The Script | Nike Football

IShowSpeed - World Cup

Throne: What I Got WRONG (and right) About Liga Portugal in 25/26

€300 milhões/ano com a centralização


"Quando uma sociedade desportiva recebe a apresentação da Liga sobre a centralização e a receita total anual apenas prevê três cenários (250, 275 e 300 milhões de euros) fica com uma certeza e uma grande esperança — a certeza é que, na pior das hipóteses, a receita anual vai ser de 250 milhões de euros e a esperança é que o valor vai ser superior a 300 milhões de euros.
Em abril de 2025, na tomada de posse, o presidente da Liga, Reinaldo Teixeira, geriu bem as expectativas. Assumiu que naquele momento a Liga não tinha qualquer proposta — quando viesse a ter, seria sempre superior a zero.
Estão de parabéns o presidente da Liga, Reinaldo Teixeira, o CEO André Mosqueira do Amaral e as sociedades desportivas que trabalharam arduamente neste dossiê, o número é fantástico. Há mais de um ano, escrevi aqui em A BOLA que, com a centralização, a receita total ia crescer, mas nunca tinha imaginado um valor tão impressionante.
A chave proposta para aprovação na próxima semana ainda é demasiado complexa. Até dia 30 de junho há bastante tempo para partir pedra e conseguir uma chave mais simples e em que se revejam os três maiores, o SC Braga e o Vitória de Guimarães, a classe média-alta da I Liga, a classe média baixa da I liga e toda a II Liga. Unanimidade será impossível, mas haver uma grande maioria a aprovar é importante.
Em vez da proposta da chave, talvez pudessem ter começado por apresentar as propostas que garantem o mínimo dos 250 milhões de euros por ano.

A Liga, local da próxima batalha de Villas-Boas
O presidente do FC Porto, André Villas-Boas, quando foi eleito, tinha várias batalhas internas para ganhar. Bastava não ganhar uma e perderia a guerra. A financeira (1), a desportiva (2) e a relação com os adeptos (3). Por esta ordem, que o momento que o FC Porto vivia e o expressivo resultado das eleições revelava a hierarquização das prioridades dos sócios. Ganhou todas.
Na próxima época, AVB vai privilegiar novamente a vitória do campeonato — é impossível vencer a Champions. Tem um possível marco histórico no horizonte, ser durante a sua presidência que o FC Porto ultrapasse o Benfica como o clube com mais campeonatos conquistados (38-31 a favor do Benfica, neste momento).
Aventou, no passado, propor uma limitação do número de mandatos aos presidentes do FC Porto, o que é um erro, como se tem revelado em outros setores em que foi adotada — no poder local, por exemplo. Importante seria limitar a idade máxima em que alguém pode ser presidente do FC Porto.
No final dos anos 80, numa crónica de A BOLA sobre Bernard Hinault e os seus Tour de France, contava-se uma história passada no início da sua carreira, em que ainda era um jovem e não tinha ganho a prova. Estava em segundo lugar nessa edição e todos os dias atacava e testava o líder. Numa conversa informal, um jornalista experiente tinha-o aconselhado a gelar o sangue quente, poupar energia e atacar uma única vez. Hinault respondeu-lhe que o primeiro estava muito mais forte do que ele, que só lhe ganharia se o adversário tivesse um dia mau e só saberia se ele estava num dia mau se atacasse todos os dias. Ficou em segundo e depois ganhou cinco edições do Tour.
Em 2011, à saída de uma conferência numa sala do primeiro andar do Altis, encontrei Pinto da Costa. Nessa noite, o FC Porto ia jogar a segunda mão de uma meia-final da Taça de Portugal com o Benfica, com quem tinha perdido no Dragão, por 0-2, na 1.ª mão. Disse-me que o jovem treinador (AVB) estava convencido que iam passar à final. Antero Henrique também acreditava. Alugaram um jato privado para que um jogador sul-americano pudesse chegar a tempo e jogar. O plano era esse jogador dormir até à hora do jogo, mas pediu para ser acordado, almoçou com os colegas e voltou a dormir. O FC Porto ganhou 3-1, passou com a antiga vantagem dos golos fora de casa. Ainda no relvado, o único comentário de Antero Henrique à épica vitória foi «temos de ganhar a final». Ganharam.
A próxima batalha de AVB vai ser liderar a Liga. Tem dois caminhos: converter Reinaldo Teixeira ou um seu candidato vencer as eleições em 2027.

A importância de João Palhinha
Se cada português teria feito uma convocatória diferente, poucos o teriam excluído da convocatória da Seleção Nacional que vai disputar o Mundial. Pela sua qualidade e por ter características muito diferentes de todos os outros convocados. Experiente, tem 30 anos, foi internacional 55 vezes e já esteve presente em fases finais de Mundiais e Europeus. Foi campeão de Portugal, jogou três anos na Premier League e um na Bundesliga, no Bayern de Munique. Esta época foi decisivo na salvação da descida de divisão do Tottenham, como a exigente imprensa inglesa justamente enalteceu. Tão improvável era a descida, que o facto de ter sido possível nas últimas jornadas dividiu a atenção mediática com a luta pelo título entre o Arsenal e o Manchester City. A forte personalidade e coragem que revelou nos últimos e dramáticos jogos são o seu normal.
Marcou vários golos decisivos, jogou lesionado (apesar de estar emprestado ao Tottenham pelo Bayern e ser ano de Mundial) e até esteve disponível para fazer vários jogos adaptado a central, como naquele que garantiu ao Tottenham terminar a fase de grupos da Champions num dos oito primeiros lugares, evitando o play-off.
As condições atmosféricas em que o Mundial vai ser disputado vão exigir jogadores com caráter e que ultrapassem os limites do humanamente possível (intervalando temperaturas elevadíssimas e interrupções prolongadas sempre que trovejar). A confirmar-se o regresso a Portugal na próxima época, a equipa que o contratar sabe que se no inverno tiver três jogos numa semana, um em casa com o Gil Vicente, dias depois em Old Trafford para a Champions e o último numa fria segunda-feira à noite em Viseu, o João Palhinha vai disputar os 270 minutos dos três jogos com a mesma intensidade e mentalidade vencedora."

Mundial 2026: a grande oportunidade de Portugal


"«Vejo a França em primeiro lugar, por um lado porque sou francês, mas também porque chegámos às duas últimas finais. Espanha, Argentina, Portugal e Inglaterra são candidatos promissores.»
Thierry Henry, antigo internacional francês e atual comentador

Falta uma semana para o início do Mundial, a expectativa vai aumentando e há razões para isso.
Nas casas de apostas, Portugal surge no sexto lugar entre os candidatos; nos cálculos do supercomputador da Opta está até mais acima, em quinto; tem também o quinto plantel mais valioso entre os 48 finalistas.
E sem surpresa, vai sendo apontado entre o lote de principais candidatos. Mas tirando a Liga das Nações da época passada, tem falhado sistematicamente em fases finais depois de vencer o Euro 2016. Depois disso caiu com Uruguai em 2018, Bélgica em 2021, Marrocos em 2022 e França em 2024. Com exceção dos franceses, mas numa competição em que se despediu depois de seis horas seguidas sem conseguir sequer fazer um golo, tudo seleções boas mas teoricamente inferiores. E é bom não esquecer as qualificações em que alterna boas exibições com outras embaraçosas.
No jogo das expectativas, Portugal tem saído a perder. É normal que elas estejam altas, porque Portugal tem, realmente, dos melhores do Mundo — dos melhores laterais aos melhores médios, sobretudo. E quem sabe, num país de pouco mais de 10 milhões, durante quanto tempo isso será realidade?
Esta é, portanto, uma grande oportunidade, talvez a melhor numas quantas décadas, de chegar à final dum Mundial — e, quem sabe, vencer. Convém não a desperdiçar."

Portugal quer ou não ser campeão do Mundo?


"Mundial já começou a ser jogado na cabeça de cada jogador, na cabeça do selecionador. Não se escondam no jogo de palavras. Muito menos do… jogo

Se eu fosse Roberto Martínez haveria de colocar uma frase de Henry Ford no balneário de Portugal: «Se acreditas que consegues ou se acreditas que não consegues, tens razão nos dois casos.». Uma frase que é muito mais do que um jogo de palavras, é a certeza de que todos os caminhos que levam ao sucesso ou ao insucesso começam numa convicção que formulamos na nossa mente. Que somos aquilo em que acreditamos. Por isso, a dias do arranque de mais um Mundial, chegar ou não a dia 19 de julho em condições de ganhar um inédito Mundial depende muito dos jogadores acreditarem se conseguem ou não.
A vitória na Liga das Nações abriu portas a algumas nuances no discurso de Martínez e dos jogadores. Escondem-se menos no jogo de palavras que nos colocam como «candidatos mas não favoritos»; e ainda menos no entediante «jogo a jogo e no fim fazem-se as contas». Vale que eu acho que este discurso tem menos a ver com falta de fé e mais com o receio de que, se não formos campeões do Mundo, o discurso ambicioso se vire contra os seus autores e sirva como baliza de avaliação do trabalho feito, aumentando a sensação de desilusão. O medo que a ambição deixe de ser uma mola impulsionadora e passe a ser um boomerang que vai atingir os autores do discurso. Erro.
A ambição nunca é desmedida. Desmedidos podem ser os objetivos assumidos. Desmedidos porque irrealistas. Porque exagerados. E não há ponta de exagero em Portugal assumir que tem por objetivo vencer o Campeonato do Mundo. Não há quem entenda um pouco de futebol que considere isso irrealista. Pelo contrário.
Porque nenhum discurso ganha jogos e porque nenhuma declaração marca golos, o que eu gostava mesmo era de ver uma Seleção mandona, ousada, de peito feito. Não a demasiado cautelosa e calculista, como que alternando entre o espírito dos Velhos do Restelo e o da Padeira de Aljubarrota.
Haverá adversários fortíssimos, momentos de sofrimento, detalhes que podem decidir destinos. Situações em que tudo parece perdido e um lance trás a salvação. E há também a certeza que este mundial não será jogado apenas nos 90 minutos de cada jogo. O mundial já está a ser jogado. Jogo que começou na cabeça de cada um dos protagonistas. Ser campeão está longe de ser uma forma de jogar.
Ser campeão está longe de ser a soma dos talentos de uma equipa. Ser campeão é em primeiro lugar uma forma de pensar. Até de respirar. O bafo sente-se. Uma forma de olhar. Penetrante. Até uma forma de sorrir. Desconcertante. Ser campeão é também uma forma de sofrer.
Veja-se a Liga dos Campeões: Vitinha, Nuno Mendes, João Neves e Gonçalo Ramos já eram campeões antes de a final começar. Bastava olhar para eles. E é esse olhar que quero ver nesta seleção. Por respeito por ela própria. Por respeito por nós.
Gostava também de ver desmentida uma tese que me inquieta há muito: Portugal só se transcende na Europa. Ou nos europeus ou nos mundiais jogados perto de casa (3.º em Inglaterra; 4.º na Alemanha). Sempre que joga noutros continentes, o saldo varia entre o medíocre e o mau. Aconteceu no México, Coreia do Sul, África do Sul, Brasil e Qatar.
Podemos não ganhar o Mundial, pode muito bem haver que se mostre mais forte ou tenha a sorte dos momentos e dos detalhes. Mas que seja visível que não ficou nada por fazer, nada por dar, nada por acreditar. Que não ficou nada por ser."

Expresso: É só futebol, futebol, futebol!

BolaTV: Entrevista - João Diogo Manteigas

Zero: Saudade - S04E40 - Cacioli - Parte II

Rabona: The EXILED Team That STILL Qualified for the World Cup | Haiti Preview

Terceiro Anel: Mundial 2026

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A Verdade do Tadeia: O Mundial vai ao Bar #26 - O futebol chega à América

Simples: Mundial - Grupo J

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Integridade no Desporto: o Valor da Confiança


"O Campeonato do Mundo da FIFA é muito mais do que uma competição entre seleções. É o maior palco do futebol global, o momento em que o planeta suspende fronteiras, diferenças e conflitos para se reconhecer numa paixão comum. Durante algumas semanas, o futebol mostra a sua força mais pura: unir povos, inspirar gerações e transformar noventa minutos numa memória coletiva.
Mas o brilho do Mundial não pode ocultar a realidade. O futebol atravessa uma encruzilhada histórica. Nunca foi tão poderoso, tão rico, tão global e tão influente. Mas também nunca esteve tão exposto a riscos que ameaçam o seu ativo mais precioso: a confiança.
Corrupção, conflitos de interesse, opacidade financeira, manipulação de competições, apostas ilegais, abuso de poder, défices de boa governação e resistência ao escrutínio independente continuam a desafiar a credibilidade do jogo. E quando a credibilidade vacila, todo o ecossistema fica em risco: atletas, adeptos, clubes, ligas, federações, patrocinadores, investidores e instituições públicas.
O FIFAGate foi o momento de rutura. Expôs ao mundo aquilo que muitos suspeitavam e poucos enfrentavam: que a paixão popular podia ser capturada por sistemas fechados, sem transparência, sem controlo efetivo e sem verdadeira prestação de contas. Não foi apenas um escândalo judicial. Foi um abalo moral. Um aviso brutal de que nenhum poder no desporto é grande demais para cair quando perde a confiança daqueles que deve servir.
Foi nesse contexto que a SIGA nasceu. Não como mais uma voz no coro das boas intenções, mas como uma resposta reformista, independente e global à maior crise de integridade da história do desporto. A nossa missão foi clara desde o primeiro dia: transformar a indignação em ação, os princípios em padrões e a confiança em responsabilidade verificável.
Hoje, a SIGA é a principal coligação mundial para a integridade no desporto. A sua pegada é verdadeiramente global. Reúne organizações desportivas, governos, empresas, universidades, especialistas, juventude e sociedade civil em torno de uma agenda comum: boa governação, integridade financeira, transparência, proteção dos direitos humanos, igualdade, sustentabilidade e avaliação independente.
O progresso alcançado é real. A integridade deixou de ser um tema periférico para ocupar o centro da agenda internacional. A governação deixou de ser linguagem técnica para se tornar exigência pública. A transparência deixou de ser promessa para se tornar critério. E o escrutínio independente deixou de ser incómodo para se tornar indispensável.
Mas não confundamos progresso com missão cumprida.
O futebol continua a enfrentar forças poderosas que preferem a opacidade à verdade, o privilégio à responsabilidade e o silêncio à reforma. Há ainda demasiadas decisões tomadas longe do escrutínio público. Demasiados interesses cruzados. Demasiada resistência à fiscalização independente. Demasiada tentação de tratar a integridade como comunicação, quando ela tem de ser cultura, sistema e compromisso.
A posição da SIGA é clara e inegociável: a integridade não se proclama, prova-se. A independência não se declara, exerce-se. A reforma não se adia, cumpre-se.
O futebol não precisa de menos paixão. Precisa de mais confiança. Não precisa de menos ambição. Precisa de melhor governação. Não precisa de proteger instituições a qualquer custo. Precisa de proteger o jogo, os atletas, os adeptos e as gerações que nele acreditam.
O futuro do futebol não será decidido apenas nos estádios, nas finais ou nos gabinetes de poder. Será decidido pela coragem das suas instituições em serem transparentes, responsáveis e dignas da confiança que milhões nelas depositam.
Porque, no fim, há uma verdade simples: sem integridade, o futebol pode continuar a ser espetáculo, negócio e indústria. Mas deixará de ser aquilo que o tornou universal.
A confiança é o capital mais valioso do desporto. Perdê-la é fácil. Reconquistá-la exige liderança, coragem e reforma. É essa a missão da SIGA. E é esse o desafio maior do futebol."

Bósnia: Miralem Pjanić, o médio que fugiu da guerra e passava 17 horas num autocarro para ver a sua seleção jogar


"Cresceu no Luxemburgo, fez-se jogador em França e Itália, mas nunca esqueceu as origens: o jogador que liderava o meio-campo com a suavidade de um pianista escapou da guerra sempre quis representar a seleção do país onde nasceu, que ajudou a qualificar para um inédito Mundial, em 2014.

Não fosse um ataque de choro, ato absolutamente normal em bebés, e a vida de Miralem Pjanić talvez não fosse a mesma. Talvez não se tivesse tornado futebolista, maestro de meio-campos tão diversos como os de Metz, Lyon, Roma, Juventus ou Bósnia. Talvez não tivesse feito parte da primeira equipa a levar a seleção bósnia a um Mundial. Mais que isso, sabe-se lá até se estaria vivo.
O pai de Pjanić, Fahrudin, era futebolista nas divisões secundárias da Jugoslávia e, percorrendo os estádios do país naquele trágico dealbar dos anos 90, sentia o borbulhar das tensões e do ódio entre as diferentes etnias e nações. A Croácia estava prestes a entrar em guerra pela sua independência, a Bósnia não demoraria muito mais. Com um filho recém-nascido, Fahrudin percebeu que tinha de proteger a sua jovem família. Encontrou uma oportunidade no Luxemburgo, um contrato semi-profissional com o Schifflange, que o ajudaria também a encontrar um trabalho.
Mas sair da Bósnia só seria possível com um documento assinado pelo Drina Zvornik, clube de Fahrudin, que se recusou uma e duas vezes a fazê-lo. Até que a mulher, Fatima, decidiu ela própria tentar. Com o bebé Miralem, de poucos meses, nos braços, apresentou-se nos escritórios do clube, que mais uma vez negou à família o papel que lhes daria a passagem para uma vida nova, mais segura.
Até que, sentindo o desespero da mãe, já em lágrimas, o pequeno Miralem começou a chorar desalmadamente. “Quando comecei a chorar isso teve um efeito tal na secretária do clube que ela finalmente disse ‘OK, dou-vos o documento, mas estou a fazê-lo apenas pela criança'”, contou Pjanić em entrevista ao “The Guardian” em 2018, quando era jogador da Juventus.
No Luxemburgo, os pais revezavam-se nos empregos para que Miralem não estivesse sozinho. Não havia dinheiro para contratar quem cuidasse dele. O pai trabalhava de manhã e à tarde e a mãe fazia limpezas até à noite. “Quando estava com o meu pai e ele tinha de ir para os treinos, levava-me. Foi assim que me tornei fã de futebol”, revelou numa conversa com os meios da FIFA, em março. Enquanto isso, da terra natal, Zvornik, chegavam notícias de massacres, de pessoas obrigadas a deixar as suas casas. Mais de 100 mil bósnios perderam a vida na guerra de independência do país, a maioria muçulmanos como os Pjanić.

A escolha pela Bósnia
Não demorou até Miralem Pjanić deixar de ser um simples pequeno acompanhante do pai nos treinos do Schifflange. Aos 7 anos começou a jogar nas camadas jovens do clube e aos 14 mudou-se para a academia do Metz, de França, a apenas 40 minutos de casa. Estreou-se pelos Grenats aos 17 anos e pouco depois já estava no Lyon, como sucessor natural de Juninho Pernambucano, até no jeito para marcar livres. Seguiram-se cinco temporadas na AS Roma. A meio da sua primeira experiência italiana, foi fulcral a levar a Bósnia a qualificar-se para uma inédita presença num Campeonato do Mundo, no Brasil 2014.
Jogar pela Bósnia não era um dado adquirido. Pjanić cresceu no Luxemburgo e fez-se futebolista em França. Foi internacional jovem nas seleções do grão-ducado e, em 2008, teve uma sondagem por parte de Raymond Domenech, que o queria na seleção francesa. Só que o coração há muito tinha decidido. Desde os tempos em que Miralem apanhava um autocarro e percorria meia Europa para ver a Bósnia jogar.
“Passava 17 horas num autocarro com o meu pai para irmos apoiar a nossa seleção. E, ao viver essa euforia no estádio, o sonho de jogar ali cresceu. Eu tinha uns 11 ou 12 anos na altura e nunca me vou esquecer desses momentos”, narrou à FIFA. Quando foi chamado à seleção principal do Luxemburgo, Pjanić declinou educadamente. “As minhas raízes eram bósnias e em casa sempre seguimos as tradições e costumes do país. Por isso mesmo escolhi a Bósnia. Eu sei de onde venho e onde nasci.”
Apesar de alguns problemas em obter o passaporte bósnio, que obrigou até à intervenção da presidência do país, Pjanić jogou pela primeira vez pela seleção balcânica em 2008. A estreia em Mundiais aconteceu em pleno Maracanã, frente à Argentina.

O problema russo
Em Roma, chamavam-no de Pequeno Príncipe. Juntou-lhe outra alcunha, adotada em Turim: “Pianista”, uma brincadeira entre o som do seu nome e a forma suave e artística como marcava livres e geria o meio-campo. Do clube da capital seguiu para a Juventus, que ajudou a conquistar quatro títulos italianos, numa altura em que era uma das referências da Serie A. A ida para o Barcelona, em 2020, significou um inesperado volte-face: o talento e criatividade de Pjanić, a sua visão e capacidade de drible, não encaixaram no meio-campo blaugrana, contra todas as expectativas.
Seria emprestado ao Beşiktaş, jogou depois no Sharjah, dos Emirados Árabes Unidos e, por fim, em 2024, assinou com o CSKA Moscovo. Não sem polémica.
Em 2022, Pjanić criticou fortemente a federação bósnia por ter aceitado jogar um encontro de preparação em São Petersburgo com a Rússia. O jogo acabaria por não se realizar. Nas suas redes sociais, mensagens emotivas sobre os sons de sirenes que a sua família ouvia na Bósnia surgiam como um implícito apoio ao fim dos ataques russos na Ucrânia. E, dois anos depois, aceitou assinar por um clube russo. Foi acusado de hipocrisia.
De acordo com o portal russo Meduza, ligado à oposição, chegado ao país Pjanić terá dado um passo atrás quando confrontado com declarações antigas. “Nunca disse nada contra a Rússia ou o futebol russo e lamento se as minhas palavras ofenderam alguém. Estou pronto para pedir desculpas”, disse, sublinhando também a vontade de que o futebol russo voltasse a estar presente em competições internacionais.
Talvez por isto Pjanić tenha anonimamente deixado o futebol no fim da época passada. Aos 36 anos, vive discretamente no Dubai, onde está ligado a academias locais e se tem iniciado como empresário. Ajuda falar sete línguas: bósnio, luxemburguês, francês, inglês, alemão, italiano e espanhol.
Mas, essencialmente, diz que ali é apenas “um pai” para o seu filho, chamado Edin, como Džeko, seu amigo e companheiro de sempre na seleção bósnia e que ainda estará no Mundial 2026, no regresso do país a maior cimeira do futebol."